Ruy Guerra - Quase Memória

Comédia, Drama | 12 anos | 95 min

Quase Memória, filme baseado em livro de Carlos Heitor Cony e dirigido por Ruy Guerra traz Tony Ramos, Charles Fricks e João Miguel no elenco.
Baseado no premiado livro de Carlos Heitor Cony (1926-2018), Quase Memória, o filme, levou quase duas décadas para ser concluído. É que o diretor Ruy Guerra, 86 anos, levou mais de dez anos para tirar o projeto do papel e outros três para lançá-lo nas salas depois de pronto. Com Tony Ramos, Charles Fricks, Mariana Ximenes e João Miguel, a comovente trama inspirada nas histórias vividas pelo pai do autor, um homem que acreditava no que fazia e convencia todos à sua volta que era tudo verdade.

A trama começa a se desenvolver quando o jornalista Carlos (Charles Fricks, na versão jovem) recebe um pacote. Mas há um mistério ali: o nó que amarra o embrulho, o cheiro e a letra do envelope remetem ao pai de Carlos, Ernesto (João Miguel), morto há anos. Enquanto decide se abre ou não a estranha remessa, o rapaz reconstrói suas memórias afetivas ao lado do pai enquanto conversa com ele mesmo, mais velho, interpretado por Tony Ramos.

“O que é a fantasia no meio da memória? Não seria ela a própria memória? Um homem com a trajetória que tem, com a história que tem… Fiquei muito feliz em participar desse momento dele”, indaga Tony Ramos, sobre o cerne do longa escrito por Ruy Guerra a partir do livro que vendeu mais de 400 mil exemplares.

Para Ruy Guerra, realizador moçambicano residente no Brasil e autor de trabalhos seminais na cinematografia brasileira, como Os Cafajestes (1962) e Os Fuzis (1964), “o grande protagonista do filme é a memória. A memória de cada um, o tempo de cada um”.

Na trama, Carlos, o personagem de Ramos, acorda no dia 1º de maio de 1994, data da morte do piloto Ayrton Senna, e se depara com o seu ‘eu’ de 30 anos atrás, interpretado por Charles Fricks. Juntos, buscarão lembranças do pai.

Ah, vale dizer: o personagem duplo é uma liberdade poética. Na história de Cony, publicada em 1995, o personagem duplo não existe. “O Carlos jovem aparecia nos diálogos do livro. Como transformar isso em imagens? Essa foi a grande sacada de Ruy”, explica Ramos.

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