A Academia Sueca anunciou na madrugada de (04/maio) que o prêmio Nobel de Literatura de 2018 não vai acontecer. O motivo: “perda de confiança pública” após 18 mulheres afirmarem que foram violentadas, agredidas sexualmente ou assediadas pelo fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, um dos homens mais influentes da cena cultural de Estocolmo. Casado com a poetisa e membro da Academia Katarina Frostenson, ele nega as acusações.

O escândalo teve início em novembro de 2017, quando 18 mulheres vieram à público com acusacões de assédio e estupro contra Jean-Claude Arnault, figura importante no meio cultural e marido de Katarina Frostenson, membro do conselho.

O Prêmio Nobel de Literatura (em sueco: Nobelpriset i litteratur) é um prêmio literário concedido anualmente desde 1901. É atribuído a um autor de qualquer nacionalidade que, de acordo com as palavras do próprio Alfred Nobel, criador da distinção, tenha produzido, através do campo literário, o mais magnífico trabalho em uma direção ideal (originalmente do sueco: den som inom litteraturen har producerat det utmärktaste i idealisk riktning). O “trabalho” referido aqui significa, para Nobel, a obra inteira desse escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular.

A Academia Sueca é quem escolhe esse escritor e o anuncia no começo do mês de outubro de cada ano. Para muitos, é esse o maior e mais distinto prêmio que um escritor ou uma escritora pode receber dentro do ramo da literatura.

O prémio/prêmio é por vezes consensual e por vezes polêmico, já que muitos consideram que tem ignorado autores mundialmente reconhecidos. Alguns especialistas assinalam que grandes autores clássicos do século XX não receberam o prémio. Segundo David Remnick, director da revista The New Yorker, escritores como Marcel Proust, James Joyce ou Vladimir Nabokov deveriam ter recebido a distinção. Críticos literários como Emmanuel Carballo e Sergio Nudelstejer juntam a esta lista os nomes de Franz Kafka ou Jorge Luis Borges. Adolfo Castañón inclui ainda Julio Cortázar e Juan Carlos Onetti.Kjell Espmark, membro da Academia Sueca, indica numa obra sua mais nomes omitidos como Liev Tolstói, Émile Zola, Henrik Ibsen ou Paul Valéry, para mencionar apenas alguns.

Dois dos galardoados com o prêmio recusaram-no: Boris Pasternak (1958), por forte pressão do governo soviético, e Jean-Paul Sartre (1964), que alegou que a sua aceitação implicaria perder a sua identidade de filósofo.

Comentários